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13 Maio 2024

"A IA tem sido um bem público para o cidadão e é palpável por cada um de nós."

Miguel Pavão, bastonário da OMD, integrou o painel “A inteligência artificial e o futuro das profissões autorreguladas” no 1º Fórum das Ordens Profissionais





Miguel Pavão, bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD)Miguel Pavão, bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD)

De acordo com notícia avançada no seu portal, a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) esteve presente no 1º Fórum das Ordens Profissionais, evento foi organizado pelo Conselho Nacional das Ordens Profissionais (CNOP) que se realizou no Instituto Superior Técnico, em Lisboa.

Miguel Pavão, bastonário da OMD, integrou o terceiro painel: “A inteligência artificial e o futuro das profissões autorreguladas”. Segue-se a transcrição das palavras proferidas pelo mesmo na sua intervenção:

"A IA tem sido um bem público para o cidadão e é palpável por cada um de nós.

Este enquadramento histórico que já foi apresentado é exatamente aquilo que é a história da humanidade. A humanidade sempre teve receios com as inovações, seja pelo divino, seja pelos extraterrestres que vinham substituir o homem… Ou seja, a tal visão Frankenstein. E agora esse receio existe com a questão da Inteligência Artificial.

Nesse sentido, dir-lhe-ia que sou muito otimista. Sou como o Presidente da República. Como vemos, a IA não é uma coisa só de futuro, é uma coisa que já vem do passado e está no presente. Em muitas profissões está no presente e no nosso quotidiano sem que nos apercebamos.

Há um livro – “Poder e previsão”, de Joshua Gans, Avi Goldfarb e Ajay Agrawal – que fala precisamente deste ‘boom’ que aparece quando há uma inovação ou uma disrupção. Nos EUA, houve o ‘boom’ da eletricidade, há um século, e este também aconteceu com todas as incertezas. Portanto, Thomas Edison teve uma ideia, essa ideia foi aplicada, mas a eletrificação do mundo não aconteceu como a conhecemos hoje. Demorou quase 40 anos e nos primeiros anos houve relatos de pessoas que ficaram eletrificadas, que apanharam choques, que morreram… Diziam que não era viável e colocavam em causa a eletrificação que realmente mudou o mundo.

Por isso, a inovação é exatamente isso e é o que nos faz ser diferentes enquanto homens, relativamente àquilo que criamos. Diria que não há qualquer receio, há sim alguns constrangimentos que são apontados e por isso devemos acompanhá-los. Não existe nada que só tenha impacto positivo, as coisas também têm o seu lado negativo.

Já aqui foi dito, mas gostava de reforçar que a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu estão a preparar, diria eu e espero eu, antecipadamente a previsão daquilo que são essas alterações. Nesse sentido, está descrito que muitas profissões vão sofrer. Não tenho qualquer dúvida que a medicina dentária, que tem uma relação umbilical com o médico e o doente, vai sofrer o seu impacto positivo e também algum constrangimento relativamente ao redimensionamento da profissão.

Porque a IA vai tornar fluxos de produtividade muito mais céleres, muito mais capazes e com maior eficiência. Não tenho dúvidas que vamos ter de equacionar no futuro as profissões. E perceber se essas profissões terão viabilidade com os números que têm hoje em dia. É preciso acompanhar essa previsibilidade permanentemente. É um papel que as nossas ordens devem manter na legislação portuguesa e europeia.

Um estudo diz que quase 37% da produtividade laboral associada à IA vai aumentar. E a produtividade na medicina dentária já está a acontecer nos fluxos de diagnóstico, no planeamento de cirurgias, no ‘scanneamento’ de terapêuticas. Por isso, isto já é uma realidade em muitos consultórios médico-dentários. Não tenho muitas dúvidas que quem não quiser ser substituído pelas máquinas terá de se nutrir das ferramentas e da IA.

Podemos utilizar a IA ao ponto de nos reforçarmos para darmos melhores respostas, para termos melhor produtividade, maior assertividade e eficiência. Mas de quem será a responsabilidade? A responsabilidade continuará a ter de ser dada ao profissional, ao homem e ao ser humano. Esse é o grande fator de diferenciação. No dia em que eu tiver um diagnóstico mais facilitado porque uma máquina fez uma determinada leitura, um eventual erro ou discrepância será da minha responsabilidade.

A IA é precisamente para nos ajudar. A dicotomia que existe é a concorrência e acho que o fenómeno de concorrência pode ficar viciado pela IA. Por isso, o desafio é introduzir nessa concorrência a humanização. Eu diria que entre estes dois lados da barricada, por assim dizer, existem: previsão, otimização e produtividade versus responsabilidade, humanização e ética.

Nós, que somos um país de marinheiros, em tempos também tivemos de ser otimistas. Costumo dizer que quando há estes desafios novos, o otimista normalmente espera que o vento venha; o negativista diz e reclama do vento; e o realista ajusta às velas e vai à bolina com as condições que tem. Por isso, diria que temos de ajustar as velas, independentemente das marés e das intempéries que vão surgindo." concluiu o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas. 

Assista ao vídeo integral do 1º Fórum das Ordens Profissionais que se segue abaixo.




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