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08 Julho 2024

A cárie dentária pode ser eliminada sem um torno? Pesquisas baseadas nas propriedades da papaia dizem que sim

Uma das principais barreiras que muitas vezes aparece como um impedimento para um bom tratamento oral preventivo é o medo do paciente de sofrer dor.  A partir de agora, graças a uma investigação realizada na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Buenos Aires, será possível eliminar as cáries sem causar qualquer desconforto ao paciente.





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"Quando falamos em tratamento de lesões de cárie, referimo-nos à remoção de parte do tecido afetado e depois continuamos com a restauração da lesão. Por outras palavras, restaurar o dente à sua forma anterior", diz o Prof. Dr. Aldo Squassi, vice-diretor da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Buenos Aires.  

 "Tradicionalmente, quando um paciente vai ao consultório do dentista para ser tratado dessa condição, o profissional usa um instrumento que trabalha em alta velocidade, comumente chamado de broca, que permite a remoção de uma certa quantidade de tecido que é afetado pelo processo de cárie. À medida que a cárie se aprofunda, esse instrumento tem que ser usado mais profundamente.  

Este processo descrito pelo vice-diretor da Faculdade é o mais utilizado atualmente. No entanto, apresenta uma série de desvantagens, como o custo da intervenção, o possível comprometimento dos tecidos, que por vezes podem ser excessivamente removidos, e a dor que muitas vezes causa ao paciente. Para amenizar esse tipo de inconveniente, a Faculdade de Odontologia da Universidade de Buenos Aires vem explorando o uso de terapias químicas, que são agentes que permitem a remoção de cáries por meio de algum tipo de solução química. Com este novo tratamento, apenas os tecidos afectados serão eliminados através de uma enzima extraída da papaia.  

"Especificamente, na tese, focamos uma enzima chamada papaína, que é extraída do mamão. É uma enzima que tem propriedades que degradam as estruturas que estão dentro da lesão de cárie", explica Fiorella Ventura, médica dentista e responsável pelo Trabalho Prático do Departamento de Medicina Dentária Preventiva e Comunitária e explica: "propusemo-nos desenvolver um sistema que gera uma aglomeração, como um conjunto de 'bolinhas' desta papaína, que se realiza através de radiações e outros processos químicos e físicos".  

Graças à produção desta "aglomeração", conseguiram um duplo benefício: por um lado, permite que a papaína seja mais ativa, ou seja, remove mais destas estruturas e tecidos comprometidos. Por outro lado, este método permite que não se espalhe para o nervo e estruturas internas do dente, evitando todos os efeitos colaterais e indesejados que os produtos anteriores tinham, como a eliminação da dor sentida pelo paciente. Desta forma, fica-se apenas com o efeito enzimático desejado, que é a degradação da parte comprometida.  

A pesquisa está em pleno andamento e espera-se que seja utilizada em pacientes até o final do próximo ano.

Fonte: Universidad de Buenos Aires.

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